Não, não é este o amor que eu sonhei um dia.
O amor que eu preparei a vida, sonhei um amor sem medo, cheio de liberdade, digno dos deuses e digno dos mortais.
Um amor feito de virtudes e que vivesse todos os pecados.
Sonhei um amor rebelde, feito de egoímos e de renúncias, intenso, emocionado e completo.
Um amor que tivesse a vibração dos músculos, o rubro calor do sangue e a agitação febril dos nervos.
Um amor sem prazos nem sustos, nem medidas nos carinhos, um amor que não sofresse nenhuma submissão, a não ser aquela que fosse devida ao império do próprio amor.
Um amor assim não encontrei em você. Um amor pronto para a lágrima e pronto também para o riso, livre para o canto da carne e dono de todos os prazeres do corpo, do espirito e do coração.
Incapaz de um amor assim você condena o ideal, como uma coisa inútil, é como se dissesse que la fora há um dilúvio de luz gritando claridade, mas inútil para os olhos do cego.
Como também para o falcão de asas presas, é inútil e doloroso ver a amplidão dos espaços sem poder voar.
Não, não é este o amor que eu sonhei um dia.
O amor que eu anseio tem a renovação das fontes perenes e não a melancolia das paisagens mortas.
Tem auroras, crepúsculos, lua e sol, dias luminosos e noites escuras. E não o calendário morto.
O amor que eu ambiciono é um amor sem proibições iluminados de sorrisos a brincar com a vida. Amor legítimo e sem clandestinidades, franco e sem reticências, amor total e sem parcelamentos.
Com um amor assim continuarei sonhando sempre.

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